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| Foto do cometa C/2026 A1 (MAPS) como visto desde o telescópio Webb. Fonte: Wikipedia a partir de uma imagem processada por Melina Thévenot. Créditos NASA/ESA/CSA e Quicheng Zhang et al. |
Nem bem postamos sobre a falta de cometas potencialmente brilhantes em 2026 e o 13 de janeiro de 2026 revelou a chegada de um novo cometa: o C/2026 A1 (MAPS), descoberto no Observatório de S. Pedro do Atacama por um grupo de astrônomos amadores (o nome MAPS são as iniciais dos sobrenomes Maury, Attard, Parrott e Signoret dos responsáveis pelo programa de observação). Para deixar a história ainda mais fascinante, seus elementos orbitais apontam como um cometa do tipo "Kreutz", ou aqueles que passam rasantes no sol e, por isso, bem poderiam se chamar "cometas suicidas".
A questão que se coloca (ou a "pergunta do ano") é: qual será a magnitude desse objeto próximo ao seu periélio? Há pessoas em grupos sociais já anunciando um espetáculo no começo de abril de 2026 quando de seu periélio. Outros, mais comedidos e razoáveis, ainda aguardam o desenvolvimento da curva de brilho desse cometa.
Com um período estimado em aproximadamente 1900 anos [1], seu periélio ocorrerá em 4 de abril de 2026. Sua posição (ou do que restar dele) será mais próxima da Terra, porém, em 5 de abril, chegará a aproximadamente 1 UA. Será um cometa melhor visto no hemisfério sul. Estimativas otimistas de seu brilho falam em um pico de mag. ~ -16,0, porém, é preciso se lembrar de que ele estará muito próximo do sol. É provável que, antes do periélio e próximo ao dia 4, o cometa possa ser observado por meio da câmera C3 do instrumento em órbita SOHO [2].
Na data de hoje sua mag. é 11,7, o que o faz um cometa inacessível mesmo a binóculos. A esperança, porém, é que as coisas melhorem antes do periélio, e que o cometa sobreviva a ele, quando atingirá a incrível distância de 160.000 km da superfície sol. Para se ter uma ideia, isso é metade da distância da Terra à Lua!
A curva de brilho desse cometa também é lenta [3, 4]. Isso significa que, mesmo em meados de março, ele ainda se comportará como um objeto pouco acessível a pequenos instrumentos. No início de março, o cometa poderá ser observado com grandes instrumentos em um local escuro ao cair da noite (mais débil que mag. 9,0). Mesmo no final de março (por exemplo, 26/3), ele será visto como um objeto muito baixo, próximo ao horizonte oeste. No dia 30/3, ele estará próximo ao planeta Vênus ao cair da noite, porém, será necessário escolher um lugar alto com horizonte oeste livre de nuvens. Se a curva de brilho se mantiver, ele apresentará brilho superior ao mínimo para ser visto a olho nu, porém, sua posição não favorece sua observação. Passa a ser visto por binóculos apenas depois do dia 20/3.
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| Posição do cometa C/2026 A1 em 10 de abril (centro da cruz vermelha) próximo ao horizonte oeste (como visto desde a latitude 23 graus sul) e à estrela Gama Ceti na constelação da Baleia. O planeta Vênus pode ser visto a noroeste. Nessa data, o cometa pode alcançar aproximadamente mag. 2,0, mas isso é bastante incerto. |
Incrivelmente, depois do periélio, se ele sobreviver, ele continuará a ser visto como um objeto vespertino para observadores do hemisfério sul. Esse será o momento em que ele poderá ser melhor observado. Deve-se buscar por um objeto bem baixo, próximo ao horizonte oeste. Esse prognóstico favorável é para depois do dia 7 de abril, quando o cometa emerge das brumas do crepúsculo ainda na constelação de Peixes.
Por causa da incerteza em sua curva de brilho e sobrevivência do periélio, não apresentaremos nenhum mapa para sua observação pós-periélio. Se ele sobreviver, vamos descrever sua posição no céu, porém, somente após o dia 4 de abril.
Vamos torcer pela vida do cometa C/2021 A1 !
Referências
[1] Dados do C/2026 A1: https://starwalk.space/en/news/comet-c2026-a1-maps
[2] SOHO camera: https://soho.nascom.nasa.gov/data/realtime-images.html
[3] https://astro.vanbuitenen.nl/comet/2026A1
[4] https://cobs.si/




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