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| Fig. 1 Gráfico da distância heliocêntrica versus magnitude heliocêntrica para vários cometas que talvez permita estimar o destino do C/2026 A1. Cortesia: Nicolas Lefaudeux (Facebook). |
Evolução da curva de brilho
O gráfico da Fig. 1 é uma atualização fornecida por Nicolas Lefaudeux que permite tirar algumas conclusões sobre a perspectiva de evolução de brilho desse cometa. No eixo "x" está representada a distância heliocêntrica (distância do cometa desde o sol) de vários cometas, entre eles, o MAPS. No eixo "y" estão as magnitudes heliocêntricas ou brilho dos cometas, como visto desde o sol.
A função de brilho (em magnitudes decrescentes) é uma função que cresce à medida que a distância heliocêntrica se reduz. Isso significa que todas as curvas são funções crescentes. Quanto mais alta é a posição de uma curva, mais brilhante é o cometa.
Como pode ser visto, o cometa C/2026 A1 tem apresentado uma certa estagnação na curva de seu brilho (em azul). Se fôssemos compará-lo a um dos membros mostrados, ele se aproximaria da curva em laranja para o cometa Lovejoy (C/2011 W3), porém, mais brilhante que esse cometa, que sobreviveu ao periélio, mas foi descrito como um astro "sem cabeça" (headless). Segundo a Wikipedia:
O cometa Lovejoy reapareceu como um objeto visível a olho nu no Hemisfério Sul por volta de 21 a 22 de dezembro, quando o astronauta Dan Burbank o fotografou da Estação Espacial Internacional. Fotógrafos em solo continuaram a capturar imagens do cometa, que havia diminuído seu brilho para cerca de magnitude 4. Embora Lovejoy continuasse visível para observadores do Hemisfério Sul até o início de 2012, grandes telescópios seriam necessários para vê-lo quando cruzasse para o Hemisfério Norte em fevereiro. [1]
Estima-se que uma quantidade substancial de massa tenha sido perdida pelo Lovejoy no seu periélio, em que pese o fato de sua massa ter sido mal estimada (era maior do que estimada inicialmente). O gráfico de Lefaudeux permite estimar que o brilho do MAPS não será excepcional (como foi o caso do C/1881 R1) e nem como o Ikeya-Seki de 1965. Porém, esse cometa será mais brilhante que o C/2024 S1 (ATLAS) que se desintegrou.
Ainda assim, não é possível garantir que o C/2026 A1 (MAPS) sobreviverá ao periélio, uma vez que isso depende de fatores ligados à estrutura interna do núcleo, que pode variar de cometa para cometa. Portanto, teremos que esperar o periélio.
Se sobreviver, talvez o MAPS possa ser visto como um astro à vista desarmada para observadores do hemisfério sul depois do periélio em 4 de abril próximo.
Poderemos, porém, assistir a esse evento de forma segura, como descrito a seguir.
Observação periélica segura.
O cometa C/2026 A1 (MAPS) poderá ser observado através das câmeras LASCO C2 e C3 do satélite SOHO entre 2 de abril de 2026 a 6 de abril de 2026. Uma dessas câmeras, a C2 tem campo mais próximo do sol. Então, inicialmente ele ingressará na C3 e, depois, na C2 conforme o seguinte cronograma [2]:
- Entrada na C3: início de 2 de abril de 2026 (20h50 Tempo Universal).
- Aproximação Máxima (periélio): O cometa fará sua maior aproximação ao Sol em 4 de abril de 2026, passando a cerca de 160.000 km acima da superfície solar.
- Entrada na C2: O cometa aparecerá no campo de visão interno e mais estreito do LASCO C2 em 4 de abril de 2026.
- Saída de C2/C3: A previsão é de que o cometa deixe o campo de visão do SOHO C2 em 6 de abril de 2026, por volta de 1h da manhã (horário de Brasília).
Para visualizar as primeiras imagens, acesse [3]:
https://soho.nascom.nasa.gov/data/realtime-images.html
e busque pelas imagens do canto inferior direito (câmeras C2 e C3). A observação é segura!
Referências
[1] https://en.wikipedia.org/wiki/C/2011_W3_(Lovejoy)[3] The Very Latest SOHO Images: https://soho.nascom.nasa.gov/data/realtime-images.html

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