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| Fig. 1 Saturno em sua oposição em 4 de outubro. |
Hoje em dia, existem muitos sites e fontes disponíveis sobre eventos do céu. Além dos próprios sites da internet, redes sociais e sistemas de IA (linkedin, TikTok, X, ChatGPT, Gemini etc) disseminam imagens, vídeos curtos e informações rápidas buscando 'cliques' dos usuários. Porém, muitas dessas iniciativas não têm compromisso com o Universo real, uma vez que buscam apenas engajamento no universo "paralelo" das redes. Outras notícias são dadas sem contextualização das condições de observação, tornando-se experiências sem valor para o usuário.
Este blog chama a atenção para os fenômenos astronômicos que realmente (ou seja, do ponto de vista prático) podem resultar em experiências de observação significativas no Universo real. Essas experiências estão abertas a qualquer um que disponha de tempo e um instrumento de observação de pequeno alcance (como um binóculo ou pequeno telescópio). Além disso, as condições de observação são destacadas para evitar surpresas indesejáveis.
Objetos do sistema solar
Oposição de Júpiter em 10 de janeiro. Nessa noite, Júpiter estará visível em sua máxima aproximação. Depois do dia 10, ele começa a se distanciar gradualmente da Terra, porém, as condições de oposição continuam favoráveis durante algumas semanas. É a melhor época para se observar e fotografar Júpiter através de um pequeno telescópio.
Máxima elongação oriental de Vênus em 14 de agosto, quando ele será visto como uma estrela brilhante no horizonte ocidental (ao entardecer). Nesta data, seu aspecto será o de uma "meia-lua". Depois, Vênus começa a se aproximar da Terra em conjunção inferior apresentando a aspecto de um fino crescente. Tente observar Vênus ao entardecer no início de outubro. Mesmo um binóculo poderá revelar sua verdadeira natureza planetária.
Observação de Marte em 2026. A próxima oposição de Marte (quando ele se aproxima da Terra) somente ocorrerá em 2027. Entretanto, a partir de meados de outubro deste ano, Marte poderá ser observado (antes do nascer do sol) progressivamente como um objeto favorável no céu, mas ainda com diâmetro aparente de 5" (sua distância será de 234 milhões de km da Terra). Em 19 de novembro, ele está em quadratura ocidental. Use telescópios de abertura mediana (p. ex., 300 mm) para observar detalhes da superfície. O grande destaque de Marte neste ano será seu trânsito pelo aglomerado M 44 (ver Fig. 3).
Chuva de Eta Aquaridas. Ocorre com pico entre 6 e 7 de maio, com média de aproximadamente 60 meteoros por hora. Provavelmente, esta será a melhor chuva para ser observada no hemisfério sul. A lua nova em 16/5 e a data em maio são fatores que ajudarão a observação desse chuveiro, uma vez que as condições meteorológicas são favoráveis. Para observar, bastam os olhos.
Oposição de Saturno em 4 de outubro. É a melhor época para observação de Saturno, que apresentará um grau de abertura de seus anéis como simulado pelo Stellarium na Fig. 1. Obviamente, algumas semanas antes e depois dessa data, Saturno poderá ser visto quase que sob as mesmas condições. Use um telescópio de pequeno porte (diâmetro até 150 mm) para observar os anéis e algumas luas.
Oposição de Urano em 25 de novembro. Visível com pequenos telescópios como uma bolinha acinzentada (que dizem ser "azul esverdeada"), o final de novembro será a melhor época para achar Urano no céu e observar seu disco. Telescópios maiores mostrarão seus principais satélites. Urano será observado entre as Hyades e as Pleiades, na constelação do Touro em sua oposição. Em lugares muito escuros, sem lua e elevados (acima de 1500 m de altitude), talvez Urano possa ser percebido a vista desarmada. Use o mapa da Fig. 2 para encontrar esse planeta ao longo de 2026.
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| Fig. 2 Trajetória de Urano no céu em 2026. As estrelas com rótulos 13 e 14 são da constelação de Touro, onde o planeta poderá ser observado em 2026. Fonte: in-the-sky. |
Conjunções da lua com outros objetos do céu. Muitos eventos de conjunções da Lua com estrelas ou planetas podem se manifestar a partir de ocultações lunares, o que depende da posição do observador. Esses fenômenos não têm importância científica, exceto pelas ocultações da Lua, que podem servir para calibração de modelos de gravitação do sistema Terra-Lua.
Uma dessas ocultações, de β Tauri (Elnath) pela Lua, poderá ser observada em grande parte do território brasileiro, como mostra o mapa da Fig. 3. O início do fenômeno é 20:34 UTC com fim às 00:40 UTC. Em outras regiões, a ocultação será observada como uma conjunção.
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| Fig. 3 Mapa de visibilidade da ocultação de β Tauri pela Lua em 24 de março. |
Reportamos na Tabela 1 algumas datas das principais conjunções da Lua com planetas, com o aglomerado M44 e entre alguns planetas. Esses eventos podem ser observados sem instrumentos, porém, o uso de um binóculo favorece a apreciação dos detalhes.
Apulsos (conjunções de planetas). A lista abaixo contém alguns destaques de conjunções planetárias. Observe que o horário é dado em GMT (tempo de Greenwich) menos 3. As circunstâncias indicads (separação) podem ocorrer durante o dia.
20/4/2026 08:28 GMT-03 Mercurio e Saturno separados por 27'
09/6/2026 16:48 GMT-03 Vênus e Júpiter separados por 1°36'
04/7/2026 03:11 GMT-03 Marte e Urano separados por 6'18"
15/11/2026 23:04 GMT-03 Júpiter e Marte separados por 1°11'
Em 11 de outubro, será possível observar Marte no interior do aglomerado M44 (ou aglomerado do Presépio), na constelação do Caranguejo, formando um interessante objeto para fotografias ou contemplação através de binóculos. O melhor horário de observação é antes do nascer do sol.
Uma incursão semelhante ocorrerá com o planeta Vênus no interior de M44 em 19 de junho. O melhor horário de observação será após as 18:00 nesse dia.
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| Fig. 3. Passagem de Marte no interior do aglomerado aberto M44 na constelação do Caranguejo em outubro de 2026. |
Eclipses
Algumas notícias já circulam em redes sociais e sites sobre os eclipses de 2026. São eles: um eclipse solar anular em 17 de fevereiro, que somente será visível da Antártica; um eclipse lunar total na noite de 2 a 3 de março, que somente será favorável para observadores que se localizarem no meio do Pacífico; um eclipse solar total que somente será observável em regiões árticas; e, finalmente, o grande show de 2026, ou um eclipse lunar (parcial) em 27-28 de agosto, que poderá ser visto desde o Brasil, assim como em todo hemisfério ocidental (Fig. 4).
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| Fig. 4 Mapa de visibilidade do eclipse da lua em 28 de agosto. |
Esse último, por ocorrer em meados do ano no Brasil, tem grande chance de encontrar condições meteorológicas favoráveis. Postaremos notícias sobre ele em tempo para o planejamento de sua observação.
- C/2024 E1 (Wierzchos) que poderá alcançar mag. 7 em fevereiro, visível com binóculos e pequenos telescópios.
- C/2025 R3 (PanSTARRS) que poderá atingir mag. 7 em maio, visível através de binóculos e pequenos telescópios.
- 10P/Tempel 2 que atingirá mag. 8 de julho a setembro, sendo visível através de telescópios pequenos e binóculos.
- 2P/Encke que atingiu mag. 9 em janeiro.
- 24P/Schaumasse que atingirá mag. 8-9 de janeiro a fevereiro.
- 88P/Howell que atingirá mag. 9 em abril-maio.





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